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Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

ResumoO Circuito Cultural do Instituto Motiva levou moradores de Águas Claras à Flipelô, em Salvador, para uma primeira visita ao evento literário. A iniciativa amplia o acesso de comunidades periféricas a equipamentos culturais da capital baiana. O projeto promove inclusão social por meio de experiências diretas com literatura, feiras e espaços públicos de cultura.

Moradores de Águas Claras visitaram a Flipelô pela primeira vez por meio do projeto Circuito Cultural. Iniciativa do Instituto Motiva busca ampliar o acesso à cultura em Salvador.

Leandro Fioravante
Leandro Fioravante Analista de Mercado de Streaming · 10 de agosto de 2026
Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador
6.9/10
VereditoMoradores de Águas Claras visitaram a Flipelô pela primeira vez por meio do projeto Circuito Cultural. Iniciativa do Instituto Motiva busca ampliar o acesso à cultura em Salvador.

Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

Um grupo de moradores de Águas Claras, bairro de Salvador, visitou o centro histórico da cidade no sábado (8) e conheceu a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) pela primeira vez. A ação faz parte do projeto Circuito Cultural, criado pelo Instituto Motiva, e incluiu passagens pela Fundação Casa de Jorge Amado e pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

Resposta direta: O projeto Circuito Cultural, do Instituto Motiva, promove visitas gratuitas de estudantes e participantes de organizações sociais a equipamentos culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A iniciativa surgiu diante do cenário de acesso limitado e desigual à cultura no Brasil.

Entre os visitantes estava Soraia Santos Pinto, 61 anos, moradora de Águas Claras. Depois de enfrentar um quadro de depressão, ela passou a frequentar a Biblioteca Comunitária Condor Literário, onde hoje tem aulas de boxe, capoeira e dança. No sábado, Soraia esteve em instituições que nunca havia visitado antes.

"A gente tem que fazer isso mais vezes. Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei. Tem pessoas que nunca tinham vindo no Pelourinho, nunca estiveram aqui", disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

O que é o Circuito Cultural e como ele funciona

O passeio que levou moradores de Águas Claras à Flipelô foi viabilizado pelo Circuito Cultural, projeto da iniciativa privada criado pelo Instituto Motiva. A proposta é ampliar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, com visitas gratuitas a instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Segundo o Instituto Motiva, a iniciativa nasceu diante de um cenário em que o acesso a equipamentos culturais pela população brasileira ainda é limitado e desigual. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que menos de um terço dos municípios brasileiros conta com museus, e a visitação a esses espaços é concentrada entre as faixas de maior renda.

A edição 2025 da pesquisa Hábitos Culturais, do Observatório Fundação Itaú, apontou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses e que 13% participaram de festivais literários. Os números reforçam o baixo consumo de cultura pela população.

A distância que separa Águas Claras do centro histórico

Águas Claras fica a cerca de 25 minutos do centro histórico de Salvador, mas a proximidade geográfica não se traduz em acesso. Muitos moradores relatam dificuldades para visitar os equipamentos culturais da cidade, mesmo vivendo na capital baiana.

Maian Oliveira, 36 anos, participou do passeio com três filhos e conheceu o Muncab pela primeira vez. Ela contou que dificilmente consegue levar as crianças ao centro histórico para um roteiro cultural.

"No dia a dia é mais difícil trazer as crianças. Quando se tem mais de duas crianças, se torna ainda mais difícil porque o transporte fica um pouco complicado", disse.

Os filhos de Maian fazem parte da capoeira Unira. Para ela, apresentar a cultura às crianças é essencial: "Ela mostra quem nós somos, de onde nós viemos. E é muito importante a gente apresentar isso para nossas crianças, que estão chegando agora".

A visão de quem vive a comunidade

Aline Dias, articuladora territorial do bairro de Águas Claras, explica que a comunidade vive muito de redes próprias de apoio. "A comunidade de Águas Claras, por exemplo, vive muito dela mesmo, vive em rede, as organizações se apoiam. É uma comunidade que tem aspectos muito tradicionais, porque por muito tempo ficou à margem da cidade."

A situação começou a mudar com a chegada do metrô e a construção de uma rodoviária, que ampliaram as ações sociais e culturais no bairro. Aline observa uma transformação no comportamento da comunidade.

"Tenho visto uma certa mudança no comportamento da própria comunidade. Primeiro sobre a autoestima da comunidade em relação à cidade. Agora ela já começa a ter mais coragem e confiança para poder expor o que acontece de bom por lá."

O que falta para ampliar o acesso à cultura

Apesar das ações sociais e culturais existentes no bairro, como a biblioteca comunitária, Aline defende a criação de políticas públicas para ampliar o acesso das comunidades à cultura. "Precisamos pensar em iniciativas que valorizem ou que deem vazão ao que acontece na comunidade", ressaltou.

Ela também destaca o desejo dos moradores de participar de ações fora de seus territórios. "A Flipelô não era, até então, parte do repertório da cidade. Águas Claras estava muito à parte do que estava acontecendo. Então essa [atividade de sábado] foi uma grande oportunidade. As pessoas estão muito felizes."

Para Aline, as comunidades têm potencial para reproduzir iniciativas literárias próprias. "Por mais que elas não participem de feiras literárias, elas vislumbram feiras e querem reproduzir isso em suas comunidades também, porque elas entendem que a literatura é muito importante."

O que o Instituto Motiva espera com o projeto

Ariane Teles, especialista do Instituto Motiva, afirma que o objetivo da ação é quebrar barreiras de acesso. "Nosso maior desejo com essa ação foi, primeiramente, quebrar essa barreira do acesso. E, segundo, a gente entende que a cultura é realmente uma ferramenta poderosíssima de transformação social, de educação e de ampliação de repertório."

O projeto ainda deve levar outros grupos a equipamentos culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A proposta, segundo o Instituto Motiva, é reduzir a desigualdade no consumo de cultura no país.

Perguntas Frequentes

O que é o Circuito Cultural?

É um projeto do Instituto Motiva que promove visitas gratuitas a equipamentos culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais.

Quem pode participar do projeto?

O projeto atende estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais. A visita de sábado (8) levou moradores de Águas Claras, incluindo mulheres com mais de 60 anos da Biblioteca Comunitária Condor Literário.

Quais equipamentos culturais foram visitados em Salvador?

O grupo visitou a Flipelô, a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

Por que o acesso à cultura é desigual no Brasil?

Dados do IBGE mostram que menos de um terço dos municípios brasileiros tem museus, e a visitação é concentrada entre faixas de maior renda. Pesquisa do Observatório Fundação Itaú indica que apenas 16% dos brasileiros visitaram museus em 12 meses.

Como o projeto pode mudar a realidade de comunidades como Águas Claras?

A iniciativa aproxima moradores de equipamentos culturais e, segundo a articuladora Aline Dias, amplia a autoestima e o repertório da comunidade, que passa a vislumbrar a possibilidade de reproduzir ações culturais em seu território.

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A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

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