Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação
A 10ª edição da Flipelô começou no Pelourinho com música, poesia e homenagem a Myriam Fraga. Escritores baianos lançam livros e celebram o acesso gratuito à cultura.
Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação
A décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) abriu as portas no centro histórico de Salvador (BA) na noite dessa quarta-feira (5). A cerimônia misturou música, poesia e um público que lotou o Pelourinho para celebrar a literatura baiana. O evento segue até domingo (9) e deve reunir mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros.
O que muda na 10ª edição da Flipelô
Este ano, a Flipelô chega com um simbolismo extra. Além de completar uma década de existência, a festa celebra os 25 anos da morte de Jorge Amado (1912-2001) e os 40 anos de criação da Fundação Casa de Jorge Amado, responsável por realizar o evento anualmente. A homenageada da edição é a poetisa Myriam Fraga (1937-2016), idealizadora da festa, que nasceu com o objetivo de preservar a memória do escritor e estimular a literatura entre os jovens.
Na abertura, o público viu uma intervenção teatral que apresentou os versos de Myriam Fraga, seguida de show da cantora e compositora Belô Velloso. A combinação de teatro e música já dá o tom do que o visitante encontra nos próximos dias.
Escritores baianos lançam livros na abertura
A abertura também foi palco de lançamentos. A escritora Maria do Carmo, de Mutuípe (BA), veio pela primeira vez à Flipelô para apresentar seu novo livro, Trilhas de Alforria, que aborda o combate ao racismo. Em entrevista à Agência Brasil, ela celebrou as feiras literárias como espaço de representatividade cultural e resistência.
"Feira literária, para mim, é espaço de representatividade cultural", disse. "Vejo a Flipelô com muita alegria porque a população tem acesso a ela sem custo nenhum. É também uma mistura de culturas, não só literária, mas de música, dança, representação teatral", acrescentou.
Ao lado dela, a escritora Magnólia Gomes de Oliveira segurava seu livro Destinos Entrelaçados, que será lançado na Casa Motiva, no Vale do Dendê. A trama se passa em Feira de Santana e conta a história de duas pessoas que se encontram ao acaso e vivem uma paixão intensa, com alguns impedimentos pelo caminho.
Magnólia é fundadora do coletivo Autores da Resistência, que atua no Recôncavo Baiano, e do Passeio Literário, grupo formado nas redes sociais. Para ela, participar da Flipelô é essencial para incentivar a leitura. "Esse evento é maravilhoso e muito importante para o incentivo à leitura. Queremos transformar o Brasil em um país de leitores", afirmou.
A literatura como ponte entre gerações
Outro lançamento da festa é Anésia Cauaçu, do escritor Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA). O livro conta a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié. Ailton também é responsável pela Felisquié, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, que neste ano completa 10 anos e homenageia o centenário do geógrafo Milton Santos.
"A literatura é a essência da vida. Cada livro representa um episódio da vida. Sem a literatura, a vida perde o sentido", ressaltou Ailton, reforçando o papel das narrativas orais que se transformaram em livros.
Programação gratuita e presença internacional
A Flipelô é inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e se consolidou como o maior evento literário da Bahia. Nesta edição, a programação conta com nomes como Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo, entre os estrangeiros.
Para quem planeja levar a família, a dica é consultar a programação oficial no site da festa. A entrada é gratuita, o que facilita o acesso de quem quer apresentar a literatura às crianças. A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.
Como aproveitar a Flipelô com crianças
Se você vai com filhos, o Pelourinho oferece uma oportunidade rara de unir história, música e livros ao ar livre. A classificação é livre para a maioria das atividades, mas vale checar a programação de cada dia. Shows e intervenções teatrais costumam prender a atenção dos pequenos, enquanto os lançamentos de livros podem ser uma porta de entrada para conversas sobre temas como racismo e memória, sempre com mediação dos adultos.
Para os pais, a dica é chegar cedo, explorar as ruas do centro histórico e aproveitar a mistura de culturas que a festa proporciona. A Flipelô não é só para quem já lê; é para quem quer começar. como apresentar literatura infantil para crianças
Perguntas Frequentes
Quando acontece a Flipelô 2026?
A Flipelô começou na quarta-feira (5) e vai até domingo (9), com programação no centro histórico de Salvador.
Quem é a homenageada da Flipelô deste ano?
A poetisa Myriam Fraga (1937-2016), idealizadora da festa, é a grande homenageada da edição de 10 anos da Flipelô.
A Flipelô é gratuita?
Sim, a população tem acesso à festa sem custo nenhum, como destacou a escritora Maria do Carmo durante a abertura.
Quantos escritores participam da Flipelô?
Mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros devem participar do evento até domingo.
Onde conseguir a programação completa?
A programação oficial está disponível no site da festa, conforme informado pela organização.