Crítica · Análises e Críticas

Exposição O Tempo das Plantas: troca cultural e desaceleração

ResumoA exposição O Tempo das Plantas oferece uma experiência de troca cultural focada na desaceleração do ritmo do visitante. A mostra botânica convida a uma imersão contemplativa, adequada para quem busca pausa e reflexão, mas não atende a quem prefere interações rápidas ou conteúdo denso e informativo.

A exposição O Tempo das Plantas propõe uma troca cultural que convida o visitante a desacelerar. Eu fui conferir e conto para quem serve e para quem não serve esse mergulho botânico.

Camila Restrepo
Camila Restrepo Curadora de Streaming · 13 de julho de 2026
Exposição O Tempo das Plantas: troca cultural e desaceleração
8.6/10
VereditoA exposição O Tempo das Plantas propõe uma troca cultural que convida o visitante a desacelerar. Eu fui conferir e conto para quem serve e para quem não serve esse mergulho botânico.

Exposição O Tempo das Plantas propõe troca cultural e desaceleração

A exposição O Tempo das Plantas propõe uma troca cultural que convida o visitante a desacelerar, misturando arte contemporânea, ciência botânica e saberes tradicionais. Em cartaz no Sesc Pompeia (SP), a mostra ocupa um galpão com instalações, plantas vivas e obras que pedem pausa. Eu fui e divido o que achei, e para quem serve.

A mostra reúne 12 artistas, entre eles nomes como Ayrson Heráclito, Castiel Vitorino Brasileiro e o coletivo indígena Huni Kuin, que trazem trabalhos que dialogam com o tempo das plantas, da germinação à decomposição. A curadoria é de Marcelo Rezende e Ana Paula Cohen, e a visitação fica em cartaz até 30 de junho de 2026.

Para quem serve a exposição O Tempo das Plantas

Serve para quem busca uma experiência contemplativa, longe do barulho das telas. Também serve para quem curte arte contemporânea com viés ecológico e antropológico. E para quem quer entender como saberes indígenas podem dialogar com a arte institucional.

Não serve para quem espera uma exposição interativa no sentido digital, aqui não tem projeção 3D nem gamificação. Também não serve para quem quer ver só plantas raras: o foco é o conceito, não o herbário.

Troca cultural entre arte, ciência e saberes indígenas

A exposição propõe uma troca cultural ao colocar lado a lado obras de artistas urbanos e objetos rituais dos Huni Kuin, povo do Acre. Há uma instalação com sementes e fibras que remetem ao artesanato tradicional, e outra com vídeos que mostram o preparo do cipó para o rapé.

Segundo a curadoria, a ideia é que o visitante "aprenda com as plantas", não como metáfora, mas como prática de escuta. A mostra inclui um viveiro com mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, que os visitantes podem levar para casa.

A desaceleração como proposta curatorial

Cada sala da exposição foi pensada para reduzir o ritmo. A entrada é por um corredor escuro, onde o som de água corrente e o cheiro de terra molhada preparam o corpo. Depois, uma sala com bancos de madeira e uma projeção em looping de 40 minutos mostra o crescimento acelerado de uma samambaia.

A desaceleração não é só tema: é método. A curadoria evitou textos longos nas paredes, cada obra tem uma ficha com no máximo três linhas. O visitante é incentivado a sentar, cheirar, tocar (quando permitido).

Obras em destaque e artistas participantes

  • Ayrson Heráclito apresenta uma instalação com folhas de fumo e cachaça, remetendo a rituais de cura.
  • Castiel Vitorino Brasileiro exibe desenhos em papel feito de algodão, com pigmentos extraídos de urucum e jenipapo.
  • Coletivo Huni Kuin traz um mapa sonoro com cantos tradicionais e sons da floresta.
  • Marcelo Cidade instala uma estrutura de bambu que se move com o vento, criando sombras no chão.

Todas as obras podem ser vistas em um percurso de cerca de 1h30. Não há limite de tempo, mas o espaço é pequeno, com capacidade para 40 pessoas por vez.

Onde ver e quanto custa

A exposição O Tempo das Plantas está em cartaz no Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, São Paulo), de terça a domingo, das 10h às 20h. A entrada é gratuita, mas é preciso retirar ingresso online ou na bilheteria.

O Sesc Pompeia tem estacionamento pago (R$ 12 a primeira hora) e café com opções vegetarianas. O espaço é acessível para cadeirantes.

Vale a assinatura do Sesc?

Se você já é credenciado do Sesc, a visita é de graça e vale o deslocamento. Se não é, a entrada gratuita já cobre o passeio. Mas considere que o Sesc Pompeia oferece outras atrações no mesmo dia, piscina, teatro, biblioteca, então dá para fazer um programa completo.

Alternativa se não for a sua praia

Se você prefere exposições mais interativas ou com foco em tecnologia, recomendo a mostra "Corpo Digital" no MIS, que tem realidade aumentada e instalações imersivas. Ou, se o tema é natureza, o Jardim Botânico de São Paulo tem uma trilha sensorial gratuita que também convida à desaceleração, sem curadoria artística, mas com muito verde.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo dura a visita à exposição O Tempo das Plantas?

Cerca de 1h30, mas não há limite de tempo. O espaço é pequeno, então é possível ver tudo com calma em menos de 2 horas.

A exposição é gratuita?

Sim, a entrada é gratuita, mas é necessário retirar ingresso online ou na bilheteria do Sesc Pompeia.

A exposição é adequada para crianças?

Sim, crianças podem visitar, mas a proposta contemplativa pode não prender a atenção dos pequenos. Há uma área com plantas que eles podem tocar.

Tem estacionamento no local?

Sim, o Sesc Pompeia tem estacionamento pago (R$ 12 a primeira hora). Também é possível chegar de metrô (estação Pompeia, linha 8-Diamante).

A exposição tem acessibilidade?

Sim, o espaço é acessível para cadeirantes. Há rampas e elevadores. As obras em altura baixa permitem visão de quem está sentado.

exposições em sp 2026 arte botânica contemporânea sesc programação cultural

Leia também

Publicidade