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Exposição fotográfica no Rio retrata criatividade de ambulantes

ResumoA exposição fotográfica "Não Somos Mula", de Rogério Reis, no Centro Municipal Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, apresenta 120 imagens da criatividade de ambulantes das praias cariocas. A mostra, em cartaz até 30 de agosto, ocorre em meio a protestos contra a política Tolerância Zero. A obra documenta soluções inventivas de trabalho e resistência cultural.

A criatividade de ambulantes das praias do Rio é tema de exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica. 'Não Somos Mula', de Rogério Reis, reúne 120 imagens até 30 de agosto, em meio a protestos contra o Tolerância Zero.

Leandro Fioravante
Leandro Fioravante Analista de Mercado de Streaming · 10 de agosto de 2026
Exposição fotográfica no Rio retrata criatividade de ambulantes
7.3/10
VereditoA criatividade de ambulantes das praias do Rio é tema de exposição fotográfica no Centro Municipal Hélio Oiticica. 'Não Somos Mula', de Rogério Reis, reúne 120 imagens até 30 de agosto, em meio a protestos contra o Tolerância Zero.

Criatividade de ambulantes é tema de exposição fotográfica no Rio

A criatividade e a força dos trabalhadores ambulantes das praias do Rio de Janeiro ganham destaque em uma exposição fotográfica que ocupa o Centro Municipal Hélio Oiticica, no centro da capital fluminense, até o próximo dia 30. A mostra, assinada pelo premiado fotógrafo Rogério Reis, reúne cerca de 120 imagens, a maioria inédita, e chega em um momento de tensão entre a categoria e a Prefeitura do Rio.

A exposição 'Não Somos Mula' retrata, em cerca de 120 fotografias, a criatividade e a força dos ambulantes das praias do Rio de Janeiro. Em cartaz no Centro Municipal Hélio Oiticica até 30 de agosto, a mostra reúne imagens feitas por Rogério Reis, a maioria inédita, com 80% das fotos captadas em Copacabana.

O que é a exposição 'Não Somos Mula'

O nome da exposição carrega um significado direto. Reis explica que o termo "mula" remete aos trabalhadores ambulantes que ganham a vida nas areias da orla carioca e carregam peso, como os vendedores de mate, com seus dois galões de bebidas. A expressão, usada no título, ressignifica o olhar sobre esses profissionais.

As fotografias e projeções feitas por Rogério Reis em suas caminhadas pela orla fazem um contraponto poético ao trabalho pesado desses ambulantes. As imagens realçam a capacidade de inovação e criatividade desses trabalhadores, que criam estruturas para transportar mercadorias e organizar o trabalho no dia a dia.

Materiais como carrinhos, caixas térmicas, guarda-sóis e suportes improvisados acabam se assemelhando a verdadeiras esculturas e instalações. O fotógrafo dá a esses elementos "uma visão mais lúdica, mais artística", conforme define.

O método de trabalho do fotógrafo

Rogério Reis descreve seu processo de criação com uma frase que sintetiza a proposta: "Na verdade, meu método de trabalho é uma sistematização poética desses artefatos, dessas ferramentas, dessas gambiarras todas usadas como suporte para exposição dos produtos".

A abordagem transforma objetos utilitários em peças de arte. A maior parte das fotos, cerca de 80%, foi tirada em Copacabana, onde essa atividade é mais forte. Os 20% restantes foram registrados nas areias do Arpoador, Ipanema e Leblon.

O contexto: Tolerância Zero e a fiscalização nas praias

O trabalho chega ao espaço cultural em um momento delicado. Ambulantes protestam contra o Programa Tolerância Zero, lançado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como iniciativa de ordem urbana na orla da cidade.

A ação intensificou a fiscalização contra camelôs que atuam sem credenciais do município nas praias. A prefeitura afirma que o comércio irregular era explorado e rendia cifras milionárias a facções do crime organizado.

O Movimento Unido dos Camelôs (Muca), entretanto, tem ido às ruas para protestar e cobrar diálogo com a categoria, afirmando que os trabalhadores estão sendo tratados como criminosos.

A contestação judicial e as críticas ao programa

O programa também foi contestado pelo Ministério Público Federal, que ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata. Para o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão Julio Araujo, a medida foi implementada sem diálogo com a União, sem participação da sociedade e sem a apresentação de alternativas para a regularização dos milhares de ambulantes que dependem da atividade para garantir renda.

A crítica central é a falta de planejamento e de escuta. O procurador aponta que a ação foi conduzida de forma unilateral, desconsiderando os impactos sociais e econômicos sobre uma categoria numerosa.

O temor dos ambulantes: privatização do negócio

Em conversas com os ambulantes das areias, Rogério Reis contou que ouviu relatos preocupados de que possa haver uma tentativa de privatização desse negócio, que ocorre em condições precárias. Ambulantes manifestaram ao fotógrafo o temor de que, algum dia, o mercado das areias seja ocupado por empresas.

A maioria dos trabalhadores das areias é autônoma. Reis defende que o governo municipal, em vez do Tolerância Zero, deveria ter um projeto socioeducativo para qualificar esse tipo de trabalho.

O que esperar da mostra e do debate

A exposição 'Não Somos Mula' funciona como um registro documental e artístico de uma atividade que vive sob pressão. As imagens de Rogério Reis não apenas celebram a criatividade dos ambulantes, mas também jogam luz sobre uma categoria que luta por reconhecimento e condições dignas de trabalho.

O embate entre a Prefeitura do Rio, o Muca e o Ministério Público Federal deve continuar nos próximos meses. A ação civil pública pede a suspensão imediata do programa, e a categoria promete manter os protestos até que haja diálogo.

Para quem visita o Centro Municipal Hélio Oiticica, a mostra oferece um olhar poético sobre o cotidiano das areias. As fotografias transformam gambiarras em esculturas e revelam a engenhosidade de quem trabalha sob o sol, carregando peso e criando soluções.

A exposição fica em cartaz até 30 de agosto, com entrada gratuita. É uma oportunidade de ver o trabalho de um fotógrafo premiado e entender, pelas imagens, a complexidade de um ofício que mistura arte, sobrevivência e resistência.

Perguntas Frequentes

Quem é o fotógrafo Rogério Reis?

Rogério Reis é um premiado fotógrafo brasileiro, autor da exposição 'Não Somos Mula', que retrata ambulantes das praias do Rio de Janeiro. Ele desenvolveu um método de trabalho que chama de "sistematização poética" dos artefatos usados pelos trabalhadores.

Onde fica o Centro Municipal Hélio Oiticica?

O Centro Municipal Hélio Oiticica fica no centro da capital fluminense, no Rio de Janeiro. A exposição 'Não Somos Mula' ocupa o espaço até o dia 30.

Quantas fotos tem a exposição?

A exposição reúne cerca de 120 fotografias, a maioria apresentada ao público pela primeira vez. Cerca de 80% das imagens foram tiradas em Copacabana, e os 20% restantes no Arpoador, Ipanema e Leblon.

O que é o Programa Tolerância Zero?

O Programa Tolerância Zero foi lançado pela Prefeitura do Rio de Janeiro como iniciativa de ordem urbana na orla. A ação intensificou a fiscalização contra camelôs sem credenciais municipais, gerando protestos do Muca e uma ação civil pública do Ministério Público Federal pedindo a suspensão imediata.

Qual a relação entre a exposição e o Tolerância Zero?

A exposição chega em um momento de tensão entre ambulantes e a prefeitura. O fotógrafo Rogério Reis ouviu relatos de ambulantes preocupados com uma possível privatização do negócio, e defende um projeto socioeducativo no lugar do programa.

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