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25 anos sem Jorge Amado: Flipelô celebra legado do autor

ResumoJorge Amado (1912-2001) completa 25 anos de falecimento em 2026, com a 10ª Flipelô celebrando o legado literário do autor baiano. O evento no Pelourinho, em Salvador, reúne mesas, debates e projeção de 250 mil participantes. A programação homenageia a obra de Amado, marcada pela cultura popular e pela vida na Bahia.

Há 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001). A 10ª Flipelô celebra o legado do autor com mesas, debates e a expectativa de 250 mil pessoas no Pelourinho.

Leandro Fioravante
Leandro Fioravante Analista de Mercado de Streaming · 06 de agosto de 2026
25 anos sem Jorge Amado: Flipelô celebra legado do autor
8.0/10
VereditoHá 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001). A 10ª Flipelô celebra o legado do autor com mesas, debates e a expectativa de 250 mil pessoas no Pelourinho.

25 anos sem Jorge Amado: Flipelô celebra o legado do autor baiano

Há 25 anos, o Brasil perdia Jorge Amado (1912-2001), o contador de histórias que transformou as ruas, os aromas e a alma baiana em literatura universal. Autor de livros como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra, Jorge Amado é a tradução da Bahia.

A 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que começou na noite de ontem (4) e vai até domingo (9), celebra esse legado. A expectativa dos organizadores é que cerca de 250 mil pessoas transitem pelas ruas do Pelourinho para curtir a programação, considerada a maior festa literária da Bahia.

"É como se Jorge Amado fizesse selfies de Salvador", comparou o historiador Rafael Dantas. Em entrevista à Agência Brasil, Dantas reforçou que Jorge Amado foi uma espécie de "tradutor desse modo de viver da Bahia e do Brasil ao longo do tempo".

O que muda na Flipelô 2026: 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado

Esta edição da Flipelô marca um encontro de datas. Os 25 anos de morte de Jorge Amado coincidem com os 40 anos de criação da Fundação Casa de Jorge Amado, entidade que guarda o acervo do escritor. A coincidência pautou uma das mesas do evento, que debateu justamente as quatro décadas da fundação.

Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, lembrou a dupla efeméride. "Todo esse acervo de Jorge Amado, os livros e tudo o que ele contou sobre o nosso povo e sobre a Bahia para o mundo, é fundamental para quem quiser", disse ela.

Para Fraga, o autor segue como porta-voz da cultura baiana. "Aqui na fundação a gente recebe muitos visitantes que dizem assim: 'Eu vim para a Bahia porque eu li Jubiabá'. Então, eu acho que ele ainda continua sendo nosso porta-voz para o mundo afora. Ele realmente soube contar sobre a nossa cultura e as nossas tradições de uma forma muito romanceada, muito agradável de ler. Esse é um legado que tem que ser levado adiante para as gerações que não tiveram a oportunidade de conviver com ele ainda em vida, produzindo."

A visão do historiador: Jorge Amado como tradutor da Bahia

Rafael Dantas participou da mesa que celebrou os 40 anos da fundação. Logo após o debate, ele explicou por que Jorge Amado segue tão relevante. "Se naquela época ele não tinha um celular para fazer uma selfie, ele conseguiu fazer uma selfie ou fazer um registro através de sua escrita, através de sua literatura. E é justamente isso que é tão especial no trabalho do Jorge Amado. Repito, Jorge Amado é um dos principais nomes para a gente compreender o Brasil ao longo desse tempo."

Nas obras de Amado, a Bahia é descrita não só por meio de suas ruas, comidas e casarios, mas também por seu povo e seus costumes. Toda sua obra promove também uma reflexão sobre os problemas sociais brasileiros.

Dantas situou o autor em seu contexto histórico. "Jorge vai encontrar um momento de transição do ponto de vista social. Ele retrata uma sociedade baiana, tanto do sul como de Salvador, com resquícios de um passado que era o presente naquele período, com tensões raciais, desigualdades, questões de trabalho, questão de gênero. Ele é um homem do seu tempo escrevendo sobre o seu tempo e colocando também as suas projeções enquanto artista na sua literatura, na sua escrita."

A relação com o Solar: o cortiço que virou literatura

O historiador também destacou um aspecto pouco conhecido da biografia do autor. "Ele foi buscar o social, o contorno que ele viveu, inclusive aqui, nesse prédio que ele morou, que é o Solar, que é o antigo cortiço em que ele escreveu Suor, para falar sobre a Bahia."

O Solar, hoje sede da fundação, foi o cenário onde Jorge Amado escreveu um de seus romances mais marcantes. A ligação entre o espaço físico e a obra literária reforça a tese de que o autor transformou vivência em matéria-prima narrativa.

Paloma Jorge Amado: 25 anos de tristeza e luta

Presente à mesa que debateu os 40 anos da fundação, Paloma Jorge Amado, filha do escritor, falou sobre a ausência do pai. "São 25 anos da morte do meu pai hoje e são 25 anos em que eu sinto tristeza a cada dia", disse ela à reportagem.

Apesar da dor, Paloma destacou o que o pai deixou ao país: um imenso "legado de humanismo, de igualdade e de fim para os preconceitos". "E é por isso que a gente luta", reforçou.

Domingos Ailton: a atualidade de um autor de 80 anos

O escritor Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA) e autor do livro Anésia Cauaçu, que aborda a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, também participou das celebrações. Para ele, Jorge Amado segue sendo muito atual.

"Jorge Amado é minha maior inspiração como escritor e um autor que teve uma importância muito grande para divulgar a cultura popular da Bahia e para divulgar a realidade da Bahia, tanto que seus livros, que foram escritos há 80 anos atrás, continuam bastante atuais", disse.

A declaração de Ailton aponta um dos traços mais duradouros da obra de Amado: a capacidade de seguir dialogando com novas gerações de leitores e escritores, mesmo oito décadas após a publicação de seus primeiros títulos.

Flipelô: a festa que celebra Jorge Amado há 10 anos

A Flipelô é realizada há dez anos, em celebração ao aniversário de nascimento de Jorge Amado (10 de agosto). A edição de 2026 começou na noite de 4 de agosto e segue até domingo (9).

A expectativa dos organizadores é de cerca de 250 mil pessoas circulando pelas ruas do Pelourinho. Mais informações sobre a programação podem ser acessadas por meio do site oficial do evento.

A cobertura da Agência Brasil foi feita com a repórter e a fotógrafa viajando a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

Perguntas Frequentes

Quando acontece a Flipelô 2026?

A 10ª edição da Flipelô começou na noite de 4 de agosto e será realizada até domingo (9). A expectativa é que cerca de 250 mil pessoas passem pelo Pelourinho.

O que celebra a Flipelô deste ano?

A edição celebra os 25 anos sem Jorge Amado, que coincidem com os 40 anos de criação da Fundação Casa de Jorge Amado. Uma das mesas do evento debateu exatamente essas duas datas.

Quem participou das mesas sobre Jorge Amado?

Participaram o historiador Rafael Dantas, a filha do escritor, Paloma Jorge Amado, a presidente da fundação, Angela Fraga, e o escritor Domingos Ailton, entre outros.

Onde fica a Fundação Casa de Jorge Amado?

A fundação fica no Solar, prédio onde Jorge Amado morou e escreveu o romance Suor. O local era um antigo cortiço.

Como acompanhar a programação da Flipelô?

A programação completa está disponível no site oficial da Festa Literária Internacional do Pelourinho.

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